Paradigmas e a cultura de segurança nas obras

Assunto recorrente e de grande polêmica, a relação entre diretrizes de segurança x produtividade é uma questão de enérgico embate entre os envolvidos, desde o surgimento das normativas de segurança voltadas aos canteiros de obras e indústria da construção civil.
Não diferente de processos a que foram submetidos outros seguimentos da indústria em decorrência da necessidade de evolução desde a revolução industrial, diversos estudos apontam e convergem sempre ao ponto ao mesmo ponto: a necessidade de implantação da cultura de segurança entre os valores da empresa.
Comumente associada a perda de efetividade devido ao direcionamento de “parcelas de tempo” para a execução de serviços em um ambiente seguro, procedimentos como análises de risco, treinamentos e implantação de medidas mitigadoras, foram por muito tempo considerados vilões do cronograma de produção, apontados como agentes dificultadores pelos executantes das tarefas.
O ponto inicial para dissociação do paradigma, é que tais questões e condições muitas vezes não são contempladas no cronograma de planejamento e consequentemente não podem ser mensuradas no cronograma de evolução executiva, criando diversos gargalos e zonas de sombra dos indicadores reais.
Outra questão de grande impacto, é a implantação de uma cultura de segurança objetiva e simplista, facilitando o engajamento das lideranças e equipes, a partir da compreensão que a execução metódica e rítmica de tarefas, proporciona uma evolução crescente e ordenada dos trabalhos nos canteiros.
De tamanho valor, e não podendo ser esquecido, é crucial avaliar os impactos físicos e financeiros acarretados desde o ato inseguro até o acidente fatal, incluindo despesas com investigações, perda de efetivo, serviços médicos, queda de indicadores, denegrição de imagem, interdições, indenizações, processos trabalhistas e embargos.
Por fim, com base na citação do psicólogo russo Lev Vygotsky, “O meio influencia o homem e o homem, influencia, forma e transforma o meio “, entende-se que é o clima organizacional que pode levar os colaboradores ao seu melhor, como também desmotiva-los, daí a importância para que os colaboradores entendam o engaje e preocupação da corporação com a sua segurança e bem estar, visto que a produtividade e a busca por resultado dependem de um trabalho em equipe, e portanto, ambientes insalubres ou com riscos eminentes, não favorecem a formação de grupos que buscam interação mútua e melhoria continuada.