Com o avanço das resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) em relação a gestão dos resíduos nas atividades da construção civil, o descarte em aterro tornou-se mais custoso, e consequentemente elevou-se o interesse pelo reaproveitamento e/ou reutilização das sobras resultantes dos processos produtivos.
Os resíduos da construção e demolição (RCD) apresentam inúmeras aplicações após processamento, podendo ser aplicados principalmente como agregados graúdos em concretos não estruturais e revestimento primário de vias e reforço de leitos e subleitos em obras de pavimentação.
Assim como os resíduos dos demais setores, os RCD’s precisam obedecer a algumas etapas de beneficiamento para a posterior utilização. A primeira pré-condição é a de que eles sejam do tipo classe A, constituídos principalmente por sobras de bloco, concreto, rochas e argamassas.
Uma vez atendida a classificação, é preciso definir a forma de processamento dos mesmos, que pode ser pela instalação de uma unidade de separação e tratamento no canteiro, com equipamentos para moagem e separação granulométrica, ou pelo encaminhamento a usinas de reciclagem especializadas, que realizam a triagem e beneficiamento do material das construtoras. Essa escolha deverá ser baseada nas particularidades de cada geradora, como: Volume de resíduo, consumo do agregado produzido, espaço físico, capacidade de beneficiamento, entre outras.
Segundo Valdir Moraes Pereira, pesquisador do Laboratório de Materiais de Construção Civil do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), a utilização dos RCD’s vem se tornando mais usual por causa das propriedades técnicas similares aos materiais convencionais e por fatores econômicos, onde o uso dos resíduos eleva a lucratividade e diminui impactos ao meio ambiente, seja pela redução de matéria prima extraída ou pela redução da quantidade de resíduo gerado, além do engajamento da empresa com a responsabilidade social.
Entretanto, para o sucesso da reciclagem, alguns cuidados adicionais precisam ser incorporados a cultura do canteiro, principalmente em relação a triagem. Como ocorre com os demais insumos empregados na construção, os RCD’s precisam ser adequados para atender as necessidades dos processos, principalmente em relação à caracterização e avaliação das propriedades físicas, químicas e mecânicas. O estudo e classificação do agregado permite o controle da composição granulométrica do mesmo e o teor de contaminantes do RCD, garantindo que o mesmo não ocasionará contaminação do solo e corpos hídricos na sua aplicação.

Também é válido lembrar, que devido a sua maior porosidade, os agregados reciclados exigem maior controle na adição de água, tanto na preparação de concretos como na determinação da umidade para obras de pavimentação.
Com o constante avanço das tecnologias, a gama de equipamentos para reciclagem dos resíduos da construção vem aumentando, e o processo fica cada vez mais viável.
Para a separação dos materiais indesejáveis (ferrosos, vegetais, plásticos, etc.), podem ser utilizados separadores magnéticos, tanques de depuração por flutuação e classificadores por ar, que combinam os resíduos em função de peso, densidade e propriedades aerodinâmicas. O ponto alto do processo de triagem, é que os materiais indesejáveis para o processo, podem ser destinados a usinas de reciclagem específicas, reforçando as questões de sustentabilidade.

Britadores de impacto: Possuem alto poder de redução e robustez, gerando agregados miúdos a partir do resíduo bruto.

Britadores de mandíbula: Geram apenas materiais graúdos e são indicados para rochas e concretos estruturais

Britadores de martelo: Produzem alta porcentagem de agregado miúdo, porém possuem baixa capacidade de processar materiais mais robustos, motivo pelo qual são mais utilizados como britadores secundários
A Parsec Engenharia, signatária do Pacto Global e dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), trabalha com ampla atenção ao tema, buscando definir junto aos clientes e parceiros as melhores práticas para gestão dos resíduos em cada obra realizada.
Para mais informações sobre a política ambiental e obras limpas da Parsec, fale comigo!
Eng.º Danilo Saldanha